A progressão dos conteúdos de Educação Física
- Postado por Mario Junior
- Categorias CURRÍCULO DE EDUCAÇÃO FÍSICA
- Data 18 de outubro de 2023
Estas questões costumam ser temas de infinitas discussões teóricas. O atraso da Educação Física em relação a outros componentes curriculares nessa questão é bastante evidente.
A BNCC avança em propor objetos de conhecimento e habilidades para os anos, mas, ao mesmo tempo, une esses objetos de conhecimento e habilidades em biênios e triênios, conforme a tabela abaixo:
Diante disso, resta a dúvida: se as habilidades devem ser obrigatoriamente desenvolvidas nos biênios ou triênios, como se processa a progressão das aprendizagens?
Para tentar responder a isso, utilizaremos o que a Base propõe como progressão para a Educação Física, ver qual a sugestão geral para progressão da BNCC e, na sequência, sugerir algumas possibilidades de se estabelecer uma progressão com base em algumas referências que julgamos importantes.
Proposta de progressão da BNCC para a Educação Física
Conforme a ocorrência social dessas práticas corporais, das esferas sociais mais familiares (localidade e região) às menos familiares (esferas nacional e mundial).
Apesar de a BNCC propor como progressão esferas mais familiares para menos familiares, quando analisamos os objetos propostos para os anos, observamos algumas incoerências nessa sugestão.
Por exemplo, na unidade de jogos e brincadeiras, é proposto que se desenvolva jogos eletrônicos no 6º e 7º anos, como se essa modalidade fosse menos familiar aos alunos do que jogos de matriz africana, indígena e do mundo, propostos para o 3º, 4º e 5º anos.
Seria muito mais provável, nos dias de hoje, que crianças tivessem acesso a jogos eletrônicos antes de conhecer jogos do mundo, por exemplo. O mesmo ocorre em relação às danças e às lutas.
Baseado na diversidade dessas práticas e nas suas características. (Ginástica e ginástica geral – Ginástica de condicionamento físico – Ginástica de conscientização corporal)
Não está claro como a diversidade e as características observadas na orientação sugerem uma progressão. Aparentemente, tratou-se de uma escolha feita pela Base.
Tipologia (modelo de classificação). Baseado em quatro categorias
a) Esportes individuais em que não há interação com o oponente: são atividades motoras em que a atuação do sujeito não é condicionada diretamente pela necessidade de colaboração do colega nem pela ação direta do oponente.
b) Esportes coletivos em que não há interação com o oponente: são atividades que requerem a colaboração de dois ou mais atletas, mas que não implicam a interferência do adversário na atuação motora.
c) Esportes individuais em que há interação com o oponente: são aqueles em que os sujeitos se enfrentam diretamente, tentando em cada ato alcançar os objetivos do jogo evitando concomitantemente que o adversário o faça, porém sem a colaboração de um companheiro.
d) Esportes coletivos em que há interação com o oponente: são atividades nas quais os sujeitos, colaborando com seus companheiros de equipe de forma combinada, se enfrentam diretamente com a equipe adversária, tentando em cada ato atingir os objetivos do jogo, evitando ao mesmo tempo que os adversários o façam.
Apesar da descrição das categorias dos modelos de classificação, o critério de progressão não está claro. Além disso, analisando a distribuição dos objetos de conhecimento pelo ensino fundamental, vemos algumas incoerências que a Base não esclarece. Observe a distribuição na tabela abaixo:
- Esportes de marca
- Esportes de precisão
- Esportes de campo e taco
- Esportes de rede/parede
- Esporte de invasão
- Esportes de marca
- Esportes de precisão
- Esportes de invasão
- Esporte técnico-combinatórios
- Esportes de rede/parede
- Esportes de campo e taco
- Esportes de invasão
- Esportes de combate
Se estrutura nas vertentes urbana e na natureza.
Assim como nas ginásticas, não há uma explicação sobre como se partir da vertente urbana para a vertente da natureza evidenciaria uma progressão. Aparentemente, assim como nas ginásticas, tratou-se de uma escolha feita pela Base.
O que o aluno deve aprender a cada ano?
A BNCC, em seu texto genérico, descreve o seguinte sobre a progressão dos conhecimentos:
A progressão das aprendizagens, que se explicita na comparação entre os quadros relativos a cada ano (ou bloco de anos), pode tanto estar relacionada aos processos cognitivos em jogo – sendo expressa por verbos que indicam processos cada vez mais ativos ou exigentes – quanto aos objetos de conhecimento – que podem apresentar crescente sofisticação ou complexidade –, ou, ainda, aos modificadores – que, por exemplo, podem fazer referência a contextos mais familiares aos alunos e, aos poucos, expandir-se para contextos mais amplos.”
(BNCC pág. 31)Qual seria, porém, o critério para se criar habilidades que refeririam uma progressão?
Sugerimos alguns critérios que podem ajudar na elaboração das habilidades:
Complemento ou aprofundamento dos modificadores das habilidades, de acordo com a sua escola.
Por exemplo: (EF35EF13) Experimentar, fruir e recriar diferentes lutas presentes no contexto comunitário e regional e lutas de matriz indígena e africana.
Como complemento e aprofundamento dessa habilidade, poderíamos propor uma progressão dessa habilidade complementando seu modificador, assim:
Experimentar, fruir e recriar diferentes lutas presentes no contexto comunitário e regional e lutas de matriz indígena e africana, reconhecendo as habilidades motoras requisitadas nessas lutas em outras práticas corporais e em outras situações do dia a dia.
Complexidade na execução das modalidades, escolha de modalidades menos familiares ou que exijam diferentes solicitações físicas:
Por exemplo:
Num esporte de invasão, partir do futebol, basquete ou handebol para o rúgbi, tchoukball ou futebol americano.
Protagonismo e organização coletiva
Os alunos passam a organizar as atividades baseados no que aprenderam sobre as práticas. Pesquisam sobre o que necessitam saber sobre as práticas, analisam espaços e materiais e propõem atividades que incluam a todos, tanto na escola como nos espaços que frequentam.
Transferir para o dia a dia aprendizagens das aulas de Educação Física.
Por exemplo, aprender sobre força muscular numa prática de luta na escola e transferir para outras situações do dia a dia (carregar mochila, subir escadas, levar sacolas de compras).
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